quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Folha em branco.


  Cansei de lutar, cansei de sofrer. Não restou mais nenhum dedo para se ter noção da probabilidade que tive de aniquilar meu vasto conjunto de feitios que permanecem a beira de minha sombra e reconstruir aquilo que realmente devo mostrar, transmitir a real intensão, que julguei de prisioneira no fundo do precipício.
  Há uma onda predestinada a atingir a cogitação do nosso ciclo natural, é uma reação conhecida no entanto codificada. As causas são mínimas, já os efeitos colaterais catastróficos.
  Desprezei todos os fatos que subjugam a essência de um encargo individual, nunca consegui seguir essa linha de raciocínio, sempre desconfiei dos meios, nunca acreditei nas conclusões.
  Cheguei a defender algumas causas, muitas vezes opostas do habitual, acreditando numa provável ideia que me faça enxergar a necessidade de fortalecer minhas razões, colocando-as em conforto contra a próprio tradicional.
  Sigo perambulando despercebido, ninguém me conhece, desconhecem o que faço, imaginam no que reflito, tentam desesperadamente vasculhar e buscar assimilar meu funcionamento. Total perda de tempo, os resultados são humilhantes e misteriosos. Surge mais uma explicação.
  Encontramos simplesmente nada. A busca se mostrou desnecessária e imprestável. Esforços foram em vão. Em instantes tudo foi devastado, o que procurava desapareceu, poderia entrar em pânico, mas continuo tranquilo.
  As consequências me forçaram a recomeçar, assim será sucessivamente. Uma mensagem será apagada, um computador é reiniciado, o dia se passa e outro vem a lhe ocupar, a árvore desmatada outrem ocupará seu lugar. Da folha rasgada, haverá páginas restantes para dar a próxima largada.